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segunda-feira, 27 de julho de 2009

Solidão não é sinônimo de depressão

Quem não gosta de ficar sozinho?

Eu, por exemplo, adoro. Calma! Não estou dizendo que detesto viver em companhia de alguém. Não, nem pensar. E jamais recusaria um convite de alguém para uma volta, um suco, um cinema, um chope. Mas, ao menos um dia na semana, me reservo só para mim. Isso mesmo.

Você, que perde seu precioso tempo me lendo, deve estar se perguntando, com uma daquelas clássicas frases hollywoodianas: what’s the point, Renan? O ponto é o seguinte: solidão não necessariamente significa depressão, nem carência ou mesmo, o preferido da maioria, chateação. Só que poucos entendem isso. Preferem te julgar depressivo, ranzinza, anti-social, mal-educado entre outras balelas que só esquizofrênicos e derivados conseguem vomitar.

Renan, não estou te entendendo. Seja mais claro. Me dê um exemplo.

Eu. Sim, eu, eu mesmo, mas sem Irene. Qual é o problema em ir sozinho ao shopping, restaurante, lanchonete, churrascaria e, os mais graves para alguns, cinema, São Januário, Maracanã?

Renan, por que você é assim?

Veja bem, amigo. Já deixei de fazer muita coisa nessa vida por falta de companhia. Deixei de curtir uma festa, um evento isolado, um jogo, um filme. E, por isso, o que senti depois foi um enorme arrependimento. Hoje, não mais. Vou sozinho, caso seja a única saída. É estranho? Diria que a única sensação que não sinto quando ajo assim é a de estranheza. Pelo contrário. Qualifico um gesto desse como independência colossal. A sensação é de liberdade total. Falo sozinho. Penso alto. Faço perguntas pra mim mesmo; crio as respostas; teço comentários sobre as pessoas em voz serena; levanto uma ideia e desenvolvo diversas opiniões e pontos de vista sobre temas variados.

Enfim, se quero fazer alguma coisa, ir a algum lugar, não me resguardo. Que mal tem se seu amigo ou namorada não pode lhe acompanhar? Vai se omitir de viver por isso?

Fica a dica: experimente se aventurar sozinho para sentir a sensação. Não posso garantir que não será ruim. Depende da pessoa. Pra mim, nunca é. Mas não há segredo. Se eu consigo me divertir sozinho, qualquer um é capaz também.

Tente mas sem ser descrente.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Noites de tormenta

Não, não vou falar deste filme, até porque não o vi. O pôster é apenas um esboço das minhas últimas noites. Sim, de tormenta. Por quê? Não sei. O fato é que eu não consigo mais me manter em estado de sono profundo. Acredito que seja algo psicológico, até porque não estou ansioso com relação a nada.

Assim, eu custo a pegar no sono. Inquietação na cama rola a cada minuto. Giro de um lado para o outro na mesma proporção que algum ser no planeta acessa o Google. Não há sossego. Pelo contrário. A irritação me toma, não da forma que o sono, infelizmente. Então, ligo a tevê. Tento ver algum filme. Nenhum consegue prender minha atenção. Sintonizo algum canal de esporte. Nem assim me mantenho quieto. Aturdido, permaneço. E a hora não para, assim como meu sentimento pelo Vasco não cessa. Ruídos escuto. Não é meu irmão roncando, até porque isso lembra a vozearia no Senado. Talvez sejam os barulhos na noite lá fora. O relento se propagando. A noite adentrando. O céu estrelando. A lua se pondo. O sol quase raiando.

Então, bate uma leve vontade de dormir. Mas é serena demais. Insuficiente. Resistível. Até que eu tento e fecho os olhos. Pura ilusão. Nada acontece. Os abro de novo. Tudo escuro. Olho a hora. São quase 6h da matina. Meu Deus. Em instantes, terei de levantar. O trabalho me chama. A responsabilidade se aclama. Eis que durmo. Mas nem sinto. O despertador berrou. Meu celular também se exaltou. Hora de levantar.

Ei, você, me ajude a desvendar este mistério. Por favor. Não vou implorar. Tampouco ajoelhar. Tenha piedade. Uma mínima compaixão. Seja meu psicólogo. Ou, talvez, meu doutor. Não diga que é normal. Seria paradoxal. Eu sou anormal?