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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Larry Crowne e O Homem do Futuro


Na última sexta-feira voltei a freqüentar uma sala de cinema – fazia tempo que não entrava em uma, pura e simplesmente por não abrir mão de cervejas e destilados nas últimas sextas e sábados e por não ter tido tempo hábil durante as semanas. E domingo, convenhamos, é dia de ver futebol o dia todo na tevê e depois ficar feito louco zapeando pelas mesas redondas do SporTV e ESPN, além de fazer comentários pouco inteligentes no Twitter.

Voltando ao cinema. Cheguei às 22h no Cinemark do Plaza e queria ver Planeta dos Macacos às 22h25, mas deixei a critério da Tamara, doce e agradável companhia, que não pestanejou e votou em Larry Crowne – O Amor está de volta. (Não houve réplica). Eu sabia que não gostaria do filme, muito embora seja do Tom Hanks e, principalmente, TENHA Tom Hanks no elenco. Ótimo e carismático ator que fez e participou de apenas mais uma comédia romântica repleta de clichês e com final previsível. Tem também a Julia Roberts, igualmente excelente e dotada de grande carisma. O casal funciona mas o filme não empolga.

Ok, vá lá, Larry Crowne está longe de ser uma porcaria, mas é altamente descartável e esquecível. Trocando em miúdos, daqui a alguns meses eu talvez nem saiba responder se vi ou não este filme – estou forçando conscientemente. Entretanto, pessoas nem tão céticas e exigentes quanto eu devem gostar ou, ao menos, curtir (verbo da moda).

Encerrada a sessão, eu, ciente desde cedo do começo de O Homem do Futuro pontualmente à meia-noite, na sala 1, articulei um entrada triunfal sem ter que pagar por outro ingresso – assim, sair de uma sala e entrar imediatamente em outra (NÃO REPITAM ISSO), já que o corredor estava quase desértico. Tamara ficou um pouco receosa, porém animada com a possibilidade de ver um filme gratuitamente – universitária, sabe como é. Eu deveria me envergonhar desta artimanha, mas me senti mais confortável quando constatei que um casal de, sei lá, 40 e poucos anos, agia da mesma forma.

A postos, agraciei mais uma magnífica atuação de Wagner Moura. Alinne Morais e ele formaram um casal com sintonia e química – o que não quer dizer que o relacionamento deles no filme seja perfeito. WM, aliás, nos remete ao lendário Capitão Nascimento em alguns momentos por causa do tom excêntrico e vigoroso. Bate uma natural e saudável nostalgia.

A trilha sonora é Tempo Perdido, da Legião Urbana, canção já vibrante e que ficou ainda mais na voz de Moura/Morais, sob entusiasmo impressionante da platéia (da película). No mais, não tenho muito a dizer sobre o filme. É bom, prende, tem cenas sinistras, enérgicas, mas não é surpreendente. O roteiro lembra muito o de Efeito Borboleta. Há quem diga que é uma nova versão de De Volta para o Futuro. Pode ser. Fica a critério de cada um comparar ou não. Fato é que, quem acompanha pouco a sétima arte, vai naturalmente achar o filme o máximo. Pra mim, não é, mas ainda assim vale uma ida ao cinema – pagando ingresso, de preferência.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Senna

Quando Senna nos deixou em maio de 94, eu tinha apenas 6 anos. Ainda muito garoto, não tinha noção do que ele representava para o mundo e, especialmente, para o Brasil.

Então, até antes de ver o documentário Senna, o que eu sabia sobre o ídolo de milhares de pessoas era básico: que Senna era tricampeão mundial de F-1; que ficava ainda mais veloz na pista quando chovia e que o francês Alain Prost invejava o fato do brasileiro ser o melhor.

Entusiasmado com o lançamento do documentário, me dirigi ao cinema dois dias após a sua estréia no Rio. 107 minutos depois, ao sair da sala, que, aliás, tinha pouco mais de 20 pessoas, lamentavelmente, me senti um cidadão minimamente mais completo, pois, ainda que tardiamente, eu saira da sessão com um inesquecível conhecimento sobre Ayrton Senna. Muito mais que um gênio do automobilismo, Senna era (e ainda é) uma referência do esporte.

Abaixo, exponho algumas observações e motivos para você assistir e se emocionar com a história de um dos maiores pilotos de um esporte que, como se constata a cada domingo, é repleto de manobras políticas, como o próprio Ayrton revela na obra.

1) Conhecer um pouco da história de Ayrton Senna é ter noção mínima do que é ser esportista;

2) Senna era muito religioso. Impressionante a fé que ele tinha em Deus;

3) Não menos impressionante era a preocupação de Senna quando algum piloto colidia na pista;

4) De arrepiar sua influência política nos bastidores da F-1;

5) Jamais aceitou ser segundo piloto quando fez dupla com Prost na mesma escuderia;

6) Era educado, articulado, humano, humilde. Seu caráter, admirável;

7) Algumas pessoas que conheço tem dúvidas sobre a sexualidade de Senna. Algo fútil diante de sua importância, mas, pelo pouco que vi neste documentário quando se envolvia mulher, achei Ayrton mulherengo. Um danado;

8) Senna era muito audacioso na pista. Fazia ultrapassagens espetaculares;

9) Apesar da aparente maturidade, Senna dizia que ainda tinha muito a evoluir, especificamente o lado do ser humano. Não estava satisfeito. Queria sempre mais;

10) O que fazia Senna feliz? Ele disse, numa célebre frase: - Pilotar com garra numa corrida de verdade, isso é o que me faz feliz;

Há muito mais detalhes a se comentar e discutir sobre Senna. Bons detalhes, diga-se. Detalhes admiráveis. Detalhes de um sensacional ser humano, que carregou a bandeira do Brasil em todos os cantos do mundo.

Em resumo, o documentário Senna precisa e merece ser visto por você. Recomendo lenços. Acredite, serão necessários.



quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Muita Calma Nessa Hora


No último domingo, véspera de feriado, fui ao cinema para ver Muita Calma Nessa Hora. E, de fato, precisei ter muita calma, pois a bilheteria estava lotada e o painel indicava que a última sessão do filme de Felipe Joffily estava esgotada. Fila enorme para a exibição de 21h, garotada empolgada, enfim, o fuzuê estava armado. Mas não tinha vaga pra mim. Uma lástima, pensei.

No dia seguinte, fui esperto. Como era feriado, imaginei que as salas estariam abarrotadas novamente e, curioso para entender por que o efeito de Tropa de Elite 2 estava acontecendo de novo, comprei o ingresso pela internet e saí de casa ciente de que veria o filme.

Fato é que Muita Calma Nessa Hora não justificou toda minha excitação de cinéfilo. Esperava mais do filme. Aliás, me desculpe os que gostaram, mas eu esperava um mínimo do filme O roteiro aguçado com o humor de Bruno Mazzeo, grande figura, é fraco, sem propósito, raso. Sinceramente, não vi conteúdo no filme que justifique o público de 261.775 espectadores no fim de semana prolongado - para ser ter uma idéia, Muita Calma Nessa Hora teve mais público em quatro dias do que A Suprema Felicidade, longa de Arnaldo Jabor, teve ao longo de três semanas em cartaz, com 204.734 espectadores.

O filme? Ah, o filme. Três belas garotas, Andreia Horta, Gianne Albertoni e Fernanda Souza - destaque para as duas primeiras, exuberantes fisicamente e convincentes como atriz -, estão cansadas dos homens que as rodeiam. Resolvem, então, ir para Búzios curtir o fim de semana e, lá, querem apenas usá-los. Compromisso, nem pensar. No caminho, dão carona a personagem de Débora Lamm, que, ao contrário delas, está a procura do pai. As quatro se tornam amigas, mas a única coisa que se tira delas é algumas boas risadas. No mais, muita futilidade.

Já os homens (ou humoristas, como quiser) aparecem, digamos, menos ainda. Bruno Mazzeo e Marcelo Adnet tem ligeiras aparições, arrancam gargalhadas, mas só. Esperava mais deles. Marcos Mion e Sérgio Mallandro fazem pontas e há quem tenha notado Marcelo Tas no filme. Tarefa árdua ou este que vos escreve estava disperso, broxa, diante de um filme vazio. Tive calma, tive paciência, mas na hora, na hora H, me decepcionei.



domingo, 3 de outubro de 2010

O Seqüestro do Metrô 123

Apesar do elenco recheado, O Seqüestro do Metrô 123 não é de se empolgar. Seria um bom filme se o diretor Tony Scott não fizesse um final tão trivial e amador. Aliás, antes de seu desfecho, o filme já mostra umas cenas bizarras, tamanho exagero no intuito de conseguir um objetivo – cena dos policias, já no fim, à caminho da estação de metrô onde o seqüestro se passa prova isso.

No entanto, a construção dos personagens de Denzel Washington e John Travolta, bem com o duelo particular entre eles, salva o filme de um desastre, oferecendo combustível para manter você na poltrona até o final. Pouco para um filme que conta com dois atores consagrados no cinema, muito embora ambos, nos últimos anos, tenham feito filmes que não despertaram muito interesse do público.

domingo, 29 de agosto de 2010

Entre Irmãos

Apesar do discurso pra lá de batido de que guerra, seja lá onde for, traumatiza seus soldados, deixando não apenas seqüelas físicas, mas cicatrizes incuráveis na mente, Entre Irmãos consegue não apenas prender a atenção, como também toca sua sensibilidade, como todo bom drama. Seja pelas atuações relevantes de seu elenco, seja pela objetividade do filme de focar na agonia causada pela guerra, o fato é que Brothers, nome original, está longe de ser um filme descartável, embora não tenha agradado a tão exigente crítica.

Impossível não ficar perplexo com a reviravolta no comportamento de Sam, estrelado com brilhantismo por Tobey Maguire, que, com barba, ganhou mais vitalidade como ator – minha opinião. Talvez seja um comentário banal, mas acho que, sem barba, o ator fica com muita cara de menino e se torna inevitável não lembrar do mocinho de Homem Aranha. Aqui, ele também é um herói, vitimado pela guerra. E, por mais que retorne com vida do Afeganistão, é nítido que a alma de Sam empalideceu. Conseguirá retomar sua vida, após vivências fúnebres na guerra? Essa é uma das boas questões do filme.

Tommy, irmão de Sam, numa belíssima atuação de Jake Gyllenhaal, é aquele que podemos definir como o problema irreparável da família. É um sujeito, infelizmente, rotulado pelos erros do passado. Por mais que se esforce para melhorar, é visto com grande desconfiança, principalmente por seu pai, que age de uma forma que considero exagerada: sempre usar o irmão Sam como exemplo, tecendo comparações o tempo todo. Não quero dizer que não devemos nos espelhar no que é bom. Mas é bom entender que há diferença entre as pessoas, e o mesmo acontece entre irmãos. Por maior que seja a semelhança, não há igualdade em tudo.

Entre Irmãos, além das atuações destacadas acima, conta também com o boa desenvoltura de Natalie Portman como Grace, esposa de Sam, e Bailee Madison como Isabelle, filha do casal, que, apesar de ainda muito jovem, mostra uma maturidade soberba – como personagem e atriz. Além de tudo isso, o filme é embalado por ótimas trilhas sonoras do U2. Diante disso tudo, seria redundante enfatizar que recomendo o filme, não?

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Um Crime Nada Perfeito

Impossível não dar uma chance a um filme com Morgan Freeman, William H. Macy e Christopher Walken, ainda que a sinopse não aparente qualquer pretensão. Os três, com destaque para Walken, disparadamente o personagem mais engraçado do filme (a cena em que ele ensaia, com a porta de um armário de vestiário, um diálogo com sua esposa é hilária!), são fãs de esculturas e quadros de um museu, onde trabalham como vigias.

Quando descobrem que suas obras preferidas serão transferidas para um acervo de artes na Dinamarca, bolam um plano ridículo e divertido, visando impedir este acontecimento catastrófico para seus corações – os três são personagens visivelmente sensíveis, sendo Morgan Freeman o mais acentuado deles.


Um Crime Nada Perfeito é conduzido brilhantemente por seu elenco, tendo como único objetivo entreter o espectador. Apesar do tímido destaque nas prateleiras das locadoras, o filme é uma ótima pedida, especialmente num dia em que a depressão tomar conta de você – comigo funcionou.

Premonição 4

Não há o que se destacar em Premonição 4, franquia que, pelo que seu final deu a entender, pára por aqui. Ainda bem, pois, se o primeiro da série trouxe perplexidade, ansiedade, tensão e algumas atuações razoáveis, este último trouxe mortes risíveis, tamanha bizarrice e exposição dos órgãos do corpo humano (aula de anatomia?), atores amadores com interpretações fraquíssimas, além da falta de criatividade no desenrolar da trama.

Sou adepto da ideia de que, alguns filmes, não deveriam ter continuidade, como forma de zelar pelo amplo sucesso de seus lançamentos. Efeito Borboleta e Premonição são dois deles, onde o êxito dos primeiros causou enorme expectativa em suas sequências, ambas toscas.

Resumindo, já que não vale a pena me estender em cima de um filme tão trivial: Premonição 4 não vale qualquer preço de locação (paguei R$4,50 neste lixo!), sequer um download. A intenção do post é impedir que você gaste 81 minutos de seu tempo com algo extremamente superficial. E se alguém, em eventual rodinha de discussões cinematográficas, questionar se você viu este filminho, retruque, com segurança: não vi porque não há o que ver.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Antes que o Diabo Saiba que Você está Morto

Antes que o Diabo Saiba que Você está Morto (ufa!) é um filme para de destrinchar em alguma aula de psicologia. Talvez um profissional do ramo consiga elucidar o porquê de dois irmãos decidirem assaltar a joalheria dos próprios pais. Logicamente, cobiça é meu ponto de partida e o mesmo se aplica a Andy (Philip Seymour Hoffman) e Hank (Ethan Hawke) - ambos com atuações convincentes.

Hank é fudido e Andy quer fugir para o Rio de Janeiro com sua mulher, onde a conheceu para, de repente, acender novamente a paixão de seu relacionamento. Ou seja, ambos precisam de grana e, embora Andy seja bem remunerado em seu trabalho, ele quer se aproveitar da fraqueza e do desespero de seu irmão por dinheiro, planejando um roubo que, em tese, não seria difícil dar certo. Só que o inusitado...

Depois do acontecimento inicial, o diretor se propõe a explicar o que motivou atitudes intempestivas dos principais personagens do filme, que lembra muito O Sonho de Cassandra, do mestre Woody Allen.


Antes que o Diabo Saiba que Você está Morto ilustra até onde as pessoas vão por dinheiro, bem como a ausência de limite para alguém que nada tem a perder. Não é um filmaço e, apesar do final vago ou passível de interpretações, fica aqui escancarado as consequências da ganância.


segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Diário de Um Adolescente

Compartilho a idéia sugerida por muitos cinéfilos de que alguns filmes deveriam ser exibidos em escola, deixando passível de discussão o período (primário e ginásio) – tal decisão ficaria a cargo de algum especialista no setor, como pedagogo ou qualquer outra coisa, menos deste blogueiro que vos escreve. Em faculdades, por exemplo, esta prática já acontece, embora não costumeiramente. Penso que deveria ser semanal, pois, acredite!, um bom filme é muito mais útil que muita balela dita por professores em salas de aula.

Um destes filmes que
considero educativo é Diário de Um Adolescente, baseado na história real de Jim Carroll, escritor, poeta, músico e ex-viciado. Jim, na pele de Leonardo DiCaprio (atuação soberba, digna de aplausos, premiação, entre outras coisas), é um garoto de 13 anos, talentoso no basquete, promissor com as palavras, morador de uma Nova York conivente à venda de drogas nas ruas e dono de uma inegável criatividade para compor poemas que traduzem seu conturbado cotidiano, exibidos em seu pequeno diário, carregado como se fosse um celular nos dias de hoje.

É oportuno dizer que Jim jamais se envolveria com drogas se não tivesse tantas más influências como Mickey (Mark Wahlberg, com boa atuação) a seu redor. Entretanto, acho que seu instinto aventureiro aliado à sua motivação para atuar mais ligado nos jogos de basquete contribuíram consideravelmente para sua experimentação com a cocaína e, futuramente, com seu vício em heroína. Isso porque Jim não era aquele garoto que compõe grupo, ele era um dos protagonistas de sua turminha.

Diário de um Adolescente é chocante e seu final um pouco previsível não tira o mérito do contexto. O filme assusta e deprime especialmente pela degradação do personagem principal, vivido por um impecável DiCaprio – àquele época, era um garoto, com apenas 20 anos. O filme é didático e não tem prazo de validade, já que o consumo de drogas entre jovens é o tema principal e sempre atual.

domingo, 27 de junho de 2010

Toy Story 3

Juntas, Disney e Pixar têm proporcionado grandes emoções ao telespectador de seus filmes nos últimos anos, inegavelmente. Não por acaso, em 2009, Up – Altas Aventuras, fruto da parceria, concorreu ao Oscar de melhor animação por tratar da questão dos sonhos de maneira tão sucinta, tocante, eficaz.

Em Toy Story 3 a questão principal trata do desapego. Você aí, jovem ou marmanjo, teve alguma dificuldade para deixar seus brinquedos de lado? Claro que teve. É normal e acontece com qualquer um.

Andy, aspirando o iminente ar da faculdade, passa por mudanças. Ele não renega seus brinquedos, mas, no momento, tem outras prioridades, pois sua mente, naturalmente, evoluiu. É a conseqüência do amadurecimento.


Seus brinquedos, liderados por Woody (na voz do lendário Tom Hanks) e Buzz (voz de Tim Allen), estão entre o porão de sua casa e alguma creche (desconfie destas duas possibilidades ao ver o filme), onde, em tese, dariam novas alegrias a novas crianças. Mas nem tudo ocorre como prevê o script.

Embalado pela nostalgia, Toy Story 3, que não agradou tanto a crítica cinematográfica (???), diverte, entristece e emociona. É um conjunto de sentimentos no decorrer de pouco mais de 100 minutos de filme, que, sem dúvida, alegra crianças e proporciona à adultos uma viagem ao túnel do tempo. Imperdível e impagável.

Título original: Toy Story 3
Lançamento: EUA - 2010
Direção: Lee Unkrich
Com as Vozes de: Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusak, Ned Beatty, Don Rickles, Michael Keaton, Timothy Dalton, Whoopi Goldberg



quinta-feira, 24 de junho de 2010

Plano B

Tenho grande desconfiança com comédias românticas. Isso porque, salvo algumas exceções (como o recente 500 Dias com Ela, por exemplo) são filmes repletos de clichês, diálogos previsíveis, caras conhecidas, etc. Em suma, sobra previsibilidade e falta originalidade.

Plano B, apesar de se enquadrar perfeitamente no meu desconfiado lado cinéfilo, conseguiu me deixar razoavelmente satisfeito. O filme de Alan Poul não tem nada que cause espanto, surpresa ou uma lição mínima. Mas trata, de maneira leve e breve, a delicada questão da inseminação artificial. Como lidar com sua vontade de ser mãe e não ter um parceiro, namorado, marido?

A belíssima Zoe (Jennifer Lopez), cansada de esperar o par perfeito, decide procurar por sêmen para, enfim, realizar sua vontade de ser mãe. Mais fácil, não? Só que, no mesmo dia em que Zoe tem uma relação com a mão do médico, ela, de forma inusitada, conhece Stan (Alex O'Loughlin), rapaz trabalhador, de boa índole e interessado num romance sério. Tarde demais para ele? Talvez.

Decidido a conquistar Zoe, Stan só não esperava se deparar com uma questão tão complexa: será que vale a pena se entregar, tão jovem, à uma iminente vida de casado? Investir numa relação é uma coisa, mas, com uma criança na jogada, é um pouco demais?

Plano B, repito, não tem nada demais e, mesmo caindo no lugar-comum, diverte com algumas embaraçosas situações vividas por Zoe e Stan. Um pipocão pra assistir em casa.

Titulo original: (The Back-up Plan)
Lançamento: 2010 (EUA)
Direção: Alan Poul
Elenco: Jennifer Lopez, Alex O'Loughlin, Michaela Watkins, Eric Christian Olsen, Noureen DeWulf

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Estão Todos Bem

Apesar da cena inicial ser Frank (Robert De Niro) aspirando o chão da sala de sua casa, Estão Todos Bem não tem como objetivo arrancar risadas. Pelo contrário. O drama do diretor Kirk Jones conseguiu arrancar minhas lágrimas do início ao fim – talvez eu estivesse num dia sensível, já que, na noite anterior (sábado) consumi enorme quantidade de vodka em noitada fajuta.

Viúvo, Frank é um homem sozinho. A esposa, que organizava todas as festas natalinas, não está mais presente para fazer contato com seus quatro filhos, todos crescidos e encaminhados na vida. Então, cabe a ele procurar pelas crianças (como gosta de se referir aos marmanjos), coisa que, ao longo dos anos, deixou a cargo de sua esposa.

Mais flexível, Frank agora parece querer se redimir do tempo em que não se dedicou aos filhos como gostaria. A vida, no entanto, é cruel e, por mais sozinho que ele esteja, seus filhos parecem não se importar tanto com seu pai, a ponto de esconder verdades e maquiar mentiras.

Estão Todos Bem toca na ferida de muitos pais/mães, magoados ou surpresos com o “abandono” dos filhos, que conheceram o mundo, se realizaram e só se preocuparam com seu próprio umbigo, cagando solenemente para aquele que os criou com dignidade, respeito, educação e paciência. O egoísmo é visível no jeito de um dos filhos de Frank, bem como o tanto faz no de outros. Em suma, o filme retrata uma realidade que muitos vivem e outros estão prestes a viver: a independência somada ao egoísmo dos filhos.

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Resumo do filme se você não quiser ler o texto acima: Estão Todos Bem é tocante por tratar da relação pais e filhos. Nem tudo são flores entre eles, convenhamos. Não vá assistir achando que é comédia. É um drama pesado, de verdade.

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Não fiz qualquer citação aos outros atores, é verdade. Saiba que foi de propósito. Em prol do De Niro, tudo!

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Bom filme!

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domingo, 23 de maio de 2010

Quincas Berro D'água

Estou encucado. Será que só eu não gostei de Quincas Berro D’água, filme de Sergio Machado, baseado no romance A morte e a Morte de Quincas Berro D’água, do grande escritor baiano Jorge Amado?

Não que seja um filme ruim, até porque têm tiradas que arrancam gargalhadas da platéia, principalmente com as falas do subconsciente do próprio morto, mas, no geral, achei a película um pouco arrastada – será que eu estava com tanto sono assim?

Pra quem não conhece a história, Quincas (Paulo José) é um velho ocioso, que vive de bar em bar, de garrafa em garrafa. Boêmio nato. Sei lá se de cirrose, fato é que o bêbado morre de porre, deixando seus amigos de copo na mão – família ele tem, mas cagam e andam pro pobre velhinho. Detalhe: atente-se para o semblante de Quincas no velório. Estaria ele rindo?

Filha do bebum, a sensual Vanda (Mariana Ximenes) opta por um enterro minimamente digno, com direito a relógio de bolso de ouro e tudo mais pro pai cachaceiro – aposto que o morto, se pudesse escolher, seria enterrado com pingas ao redor. Ah, taí algo que me manteve bem ligado no filme: Mariana Ximenes. É a cocaína da obra, com um belo decote e de quase nenhum sorriso. Sem dúvida é um desafio para qualquer homem arrancar um riso daquela personagem. Impecável.

Voltando ao filme, quem realmente se chocou com a morte de Quincas foram seus amigos de bebedeira. Inconformados, os caras roubam o bêbado do velório, visando dar ao comandante (acho que o chamam assim) uma última noite de esbórnia. O filme lembra Um Morto Muito Louco, mas algumas piadas são fracas, algumas cenas forçam demais o humor.

No mais, um ponto que achei positivo e reflexivo é quando enfatizam que, mesmo morto, Quincas vive mais que muito vivo. Seu corpo está morto, mas, sua alma e sua memória na cabeça dos amigos, estão vivas e saltitantes. Só por isso, já que o filme não me agradou, apesar de eu ter arrancado algo de útil dele, vou providenciar o livro de Jorge Amado, pois parece que (ainda) tenho muito a lucrar.



segunda-feira, 17 de maio de 2010

Código de Conduta

Código de Conduta é mais um daqueles filmes que caminham impecavelmente até, no final, decepcionar o telespectador e pôr tudo a perder. Porra, por que, depois de uma excelente crítica ao sistema judiciário americano, insinuar que a vítima é uma pessoa desequilibrada e insana, se ela nada mais fez do que justiça com as próprias mãos, uma vez que o tribunal foi conivente?

Clyde (Gerard Butler) é um homem que luta por justiça, após perder sua filha e esposa, ambas assassinadas, sob total desamparo do tribunal e suas afáveis leis. Nick (Jamie Foxx), representante de um dos responsáveis pelo tormento que acomete Clyde, é um respeitado advogado que, como a maioria do ramo, gosta de falar em causas ganhas, em números representativos. É um sujeito competente no que faz, mas, especificamente no caso de Clyde, deixa muito a desejar, se abdica de fazer justiça em prol de seus interesses e, consequentemente, deixa impune facínoras que protagonizaram a tragédia de uma família.

Código de Conduta é muito bem bolado, muito bem executado, só não é bem concluído. Conforme o filme vai chegando ao fim, eu me perguntava de que maneira aquilo acabaria, que lição seria exposta ao final. Aí, em vez uma brava conclusão, como prêmio para o belo filme que Código de Conduta é, vem uma espécie de panos-quentes na situação, um empurrão do problema judiciário americano para debaixo do tapete e não se fala mais nisso.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Instinto Secreto

A julgar pela aparência, vida cotidiana, postura familiar e profissional, Earl Brooks (Kevin Costner) é um ser humano perfeito. Bem-sucedido no trabalho, onde é um executivo de respeito e filantropo, e também no casamento, o cara parece não ter defeito algum. Mas, claro, só parece. Brooks tem um vício: é fissurado por assassinar.

“Limpo” há dois anos, Brooks se vê atormentado pelo seu alter ego, uma espécie de sementinha do mal, aquele zumbido que, por vezes, sugere caminhos errados e decisões equivocadas sobre nossos ouvidos. Metaforicamente, é como se você tivesse apenas o dinheiro do aluguel de seu apartamento e, inesperadamente, recebesse uma ligação de um amigo boêmio, sugerindo que você ative o foda-se e gaste tudo com cervejas e esbórnia. Interessante é que essa voz sombria que azucrina Brooks rende um papel, muito bem interpretado por William Hurt. É o lado serial killer de Brooks, do qual ninguém conhece.


Após dois anos sem sair da linha, Brooks decide retomar à ativa. Ainda que esbanjando a frieza de um exímio assassino, ele deixa um rastro comprometedor nesta que o próprio Brooks garante ser sua última aparição. Em seu encalço, dois carrapatos: a detetive Tracy Atwood (Demi Moore), que, além de encarregada das investigações do crime do Assassino da Impressão Digital (marca de Brooks), está em litígio com seu ex-marido, que exige uma dinheirama no processo de divórcio; e um fotógrafo observador (Dane Cook), que começa a chantagear Brooks. Interessante é que o rapaz, em vez de cifras, quer apenas se aventurar pela noite com Brooks, mas não sexualmente – você, maldoso, certamente pensou nesta possibilidade.

Instinto Secreto, dirigido em 2007 por Bruce Evans, é um bom filme. Bem desenvolvido e com boas atuações de Kevin Costner e, principalmente, William Hurt, ele prende sua atenção, com um desfecho surpreendente.



segunda-feira, 19 de abril de 2010

Zumbilândia

Normalmente filmes de zumbis não atraem muito a atenção no mercado cinematográfico – nem a minha. Acho que o rótulo negativo para películas do gênero se deve a algumas obras toscas lançadas nos últimos anos – no momento, estou sem qualquer exemplo para citar como argumento, fato que você pode considerar relevante e assistir Zumbilândia.

Aqui, ou melhor, em Zumbilância posso afirmar que há, sim, novidade do cenário de mortos-vivos: pouca dramaticidade e muito bom-humor. O objetivo é simples: garantir boas risadas. O diretor Ruben Fleischer acertou em cheio quando convocou o divertidíssimo Woody Harrelson para o elenco. Parece que o ator não precisou enraizar seu papel de gaiato para atuar em Zumbilândia, o que me leva a crer que ele é um piadista também na vida real.

WR, no papel de Tallahassee, conduz Zumbilândia do início ao fim com diálogos inteligentes, engraçados e apimentados de sarcasmo. Sua especialidade é aniquilar zumbis. Ao seu lado, a atriz prodígio Abigail Breslin, a gostosinha Emma Stone e Jesse Eisenberg, que não teme zumbis, mas tem aversão a palhaços – vai entender.

Enfim, não cabe fazer análise técnica de Zumbilândia. O filme cumpre sabiamente seu papel de entreter o telespectador e foge da mesmice. É leve e divertido. Sendo assim, e claro que eu recomendo.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Foi Apenas um Sonho

Sam Mendes, diretor de Foi Apenas um Sonho, nos questiona com questões, no mínimo, delicadas durante seu filme: você trocaria sua vida estável e pacata em seu país de origem por uma aventura incerta em outro continente? Deixaria seu emprego angustiante, que não lhe satisfaz, apesar de receber seus vencimentos em dia? Em resumo, você abriria mão do certo pelo duvidoso? Estas perguntas afligem a mente de Frank (Leonardo DiCaprio), um homem de casa, pai de dois filhos e marido de uma mulher desempregada.

April (Kate Winslet), por sua vez, não tem nada a perder. Há muito tempo perdeu o encanto pelo seu casamento com Frank, talvez por viver em uma pasmaceira inquietante. Apesar da aparência melancólica e inconstante, tem espírito aventureiro, fato que lhe permite, às vezes, abrir um sorriso esperançoso.

O título Foi Apenas um Sonho define bem o que é o filme: um sonho. Aliás, é um surto, um devaneio, de quem quer se perder para tentar se achar – no caso, April. Mas Frank, embora insatisfeito com o que faz, não quer se arriscar. Prefere manter-se no mundo sem graça que o rodeia. Mas, pelo menos, ele tem uma ocupação. Já April se consome com sua solidão, o que nos faz compreender seus constantes chiliques.

Depois do sucesso em Titanic, Leonardo DiCaprio e Kate Winslet voltam a contracenar. E, novamente, a dupla mostra que tem muito entrosamento e funciona bem, principalmente em dramas pesados como Foi Apenas um Sonho. Se estiver em bom estágio de humor, assista. Vale a pena.


domingo, 4 de abril de 2010

Simplesmente Complicado

Simplesmente Complicado é o típico filme que você se dispõe a ver só por causa do elenco. Convenhamos, quanto mais Meryl Streep envelhece, melhor atriz fica. Alec Baldwin e Steve Martin, ótimos comediantes, alastram ainda mais o humor neste novo filme de Nancy Meyers, que também dirigiu o bom O Amor Não Tira Férias.

Vou ser breve: Jane (Meryl Streep) é ex-mulher de Jake (Alec Baldwin). Ambos estão separados há 10 anos, mas você ainda percebe aquele entreolhar diferente e afetivo. O fato de o casal ter três filhos torna seus encontros mais que esporádicos. A diferença é que Jane, solteirona, ainda tenta superar o divórcio, enquanto Jake, narcisista, já tem outra esposa. Nesse meio, surge Adam (Steve Martin), um sutil arquiteto, contratado para inovar a cozinha de Jane. Ele é outro que está passando por um processo pós-divórcio.

Simplesmente Complicado me remeteu ao passado. Lembrou muito o término de casamento de meus pais. Fica claro que não é fácil esquecer uma pessoa por quem você se dedicou e cuidou por anos. Jane cuidava de Jake; minha mãe cuidava do meu pai; Mas, mesmo que meu papá não tenha a mesma grana que Baldwin tem e, hoje, esteja casado novamente, fica claro que ele não recebe os mimos concedidos outrora por minha mãe. O mesmo acontece com Jake. Curioso.

No mais, o que torna Simplesmente Complicado uma obra hilária, com diálogos inteligentes e sem pieguices, muito embora o tema sugira isso, é a brilhante conexão humorística entre os atores. O trio funciona muito bem, dando aula e humor e evitando o chororô. Vale muito a pena conferir.

sábado, 3 de abril de 2010

A Órfã

Relutei para assistir A Órfã. Desconfiei do roteiro, que, se não é batido, pelo menos aparenta ser. Sejamos sinceros: como se animar para ver um filme no qual uma menina órfã é a protagonista, cujo objetivo principal é injetar maldade e gerar discórdia em uma família? Pra quem já assistiu muita porcaria mal feita e surreal, é difícil dar crédito a uma premissa como esta. Mas A Órfã surpreende.

Kate (Vera Farmiga), assustada e ainda atormentada por uma tragédia recente, quer adotar uma criança. John Coleman (Peter Sarsgaard), seu marido, concorda com a idéia e ambos se encantam com a inteligência de Esther (Isabelle Fuhrman, em excelente atuação!), uma menina de 9 anos, residente de um orfanato. A adoção divide os dois filhos de Kate e John: Máxime, surda muda, (Aryana Engineer) aceita Esther com bons olhos; Daniel (Jimmy Bennett), não.

O filme, apimentado de muito suspense e tensão, caminha sem falhas e as atitudes de Esther lembram e muito as de Henry Evans (Macaulay Culkin), em O Anjo Malvado, de 1993. É quase impossível não fazer essa associação. Intrigado com as maldades de Esther, eu me perguntava: que fim este filme vai levar? Será que, ao final, surgirão aquelas teorias demoníacas toscas e desgastadas? Felizmente, não.

Embora mostre que adoção não é tão simples quanto parece, A Órfã não é uma obra encantadora. Mas está longe de ser comparada a filmes triviais de suspense. Não caiu no lugar-comum. E até que dá uns sustos. Pode assistir no apagar das luzes. O frouxo aqui recomenda.




domingo, 7 de março de 2010

Uma Prova de Amor

Uma Prova de Amor é um filme que, até onde sei, não foi bem visto pela crítica quando lançado no Brasil, no ano passado. Não lembro com lucidez dos argumentos dos críticos de cinema, mas estou certo de que não era nada animador. Como a gente acaba, involuntariamente, sendo influenciado por eles, deixamos de ver muita coisa boa por precaução, um pessimismo exagerado. Assim foi com Uma Prova de Amor, filme que te convida a um complexo e intrigante debate.

Isso porque Anna (Abigail Breslin), dona de personalidade forte mesmo com seus 13 anos, é, digamos, um projeto de seus pais, que visa prolongar a vida de Kate (Sofia Vassilieva), sua irmã mais velha, refém de um câncer raríssimo. Anna, desde que nasceu, se submete a diversos transplantes, transfusões dolorosas e vários exames médicos por uma única causa: estender o tempo de vida de Kate.

Só que Anna, embora muito jovem, resolve contestar os seus pais e levanta questões como: por que se preocupar tanto com o momento de Kate e simplesmente esquecer o meu futuro? Eu, hoje, doando partes dos meus órgãos, não serei prejudicada amanhã? Pode parecer um raciocínio egoísta, ainda mais em se tratando da própria irmã. Tive esta sensação no início, mas há muitos fatores por trás destas atitudes polêmicas de Anna. Fatores que são revelados no final do filme.

Então, discordando da grande maioria dos críticos, eu gostei muito de Uma Prova de Amor. Acho que o diretor Nick Cassavetes lida com este polêmico tema com muita sabedoria. E, sem dúvida, conta com as excelentes atuações de seu elenco, que tem ainda Cameron Diaz - a mãe das irmãs, num papel brilhante. Recomendo este drama, que, apesar de doloroso, nos deixa muitas (boas) reflexões, mostrando também que ser intempestivo não é o caminho para se ter êxito em questões delicadas.