terça-feira, 16 de abril de 2013

Dedé, eterno do lado esquerdo do peito



O carisma de Dedé é incalculável. Sábado passado, por exemplo: Vasco e Quissamã, em São Januário; ambos eliminados do Estadual; tarde modorrenta no Rio; frio; pelada tosca; e Dedé, idolatrado pelos vascaínos, em campo; sua iminente saída já era especulada, àquela altura; clima de despedida; cruzamento de um pobre diabo, no que Dedé pula, cabeceia e, tá lá, gol do Vasco; gol do Mito.

Pelo Twitter, que serve, ao menos pra mim, de pauta sobre o que pensam bons vascaínos, o clima era de melancolia. "Chorando muito" na timeline, geralmente, é sinônimo de deboche. Mas, naquela tarde nebulosa, os cruzmaltinos não estavam debochando. Centenas deles se emocionaram, incluindo este pobre escriba. (Escriba? Risos). Dedé correu pra torcida, beijou a Cruz de Malta, mostrou seu amor pelo clube, mais uma vez. Amor legítimo, ninguém duvida. Foi seu último gol pelo Gigante da Colina, provavelmente.

Descemos das nuvens. A realidade do Vasco da Gama, hoje, é triste. Um técnico de ponta, lúcido e ponto fora da curva no que diz respeito a treinadores, mas com um elenco ruim, de baixas expectativas, em mãos. Dívidas. Poucos investidores. Ou seja, a necessidade de se fazer caixa urge. E Dedé é o único por lá atualmente que pode gerar retorno financeiro ao clube. Tudo se baseia exclusivamente nisto. Vender parece a única solução. Ou a solução mais fácil para uma diretoria pouco criativa.

Muito se falou em Dedé no Corinthians. Pelo que se leu, a mídia tinha mais interesse em ver o jogador no Parque São Jorge do que o próprio clube paulista. O atleta, no entanto, no intervalo do jogo de sábado, admitiu sondagem do Cruzeiro. Fez o que poucos boleiros fazem: confessou ter recebido proposta, se mostrou confuso se iria ou não, mas foi sincero, franco. Admirável, no mundo cretino do futebol.

A venda de Dedé vai resolver todos os problemas do Vasco? Evidente que não. Mas penso que se faz necessária. Ele é um ótimo zagueiro, muito acima da média dos que por aqui habitam, mas, sejamos realistas, há muito não joga em alto nível. Porque o time não ajuda, talvez? Pode ser. E qual a perspectiva de que haja um time competitivo para ajudá-lo a crescer, tecnicamente? Zero. A menos, talvez, que uma grana pingue na conta do clube. E, no cenário atual, só deve pingar através da venda dele. 

Infelizmente, como já escrevi, não se pode esperar criatividade dos que comandam o Vasco para reforçar o elenco. Em termos de vitrine, Dedé dá um passo atrás. Um passo atrás para, de repente, dar dois para a frente. Vai depender dele também. Adaptação, entrosamento, etc. O Cruzeiro não tem a mesma visibilidade do Vasco. Entretanto, existem bons nomes por lá. Há um time em formação. Se vai dar caldo, não sei e pouco acompanho do futebol mineiro para cravar qualquer coisa. Seria leviano. O futuro é tão incerto para Dedé quanto para o Vasco, a meu ver.

E, na boa, 14 milhões de reais por um zagueiro, mais uns refugos que devem mandar, tendo o salário bancado pelo clube celeste, não tá ruim. Ruim é perder um ídolo, em qualquer circunstância que seja. Pior se for para um clube do mesmo país. Um rival, na verdade, ainda que não seja direto. Mas, na minha visão, tá bem razoável, pelo valor e também pelos que chegarão. São jogadores medianos? Bom, não são pilares da técnica mas, diante do que temos, podem acrescentar de alguma forma. 

Por fim, gostaria de agradecer ao Dedé por sempre ter honrado a camisa que vestiu. Por ter sido digno, leal, carismático, simpático. Não é todo dia que se cria uma identificação por um jogador que sequer saiu da base do Vasco - começou em Xerém, vale lembrar. Espero que ele tenha êxito no Cruzeiro e que siga sendo convocado para a Seleção Brasileira. E que, também, cresça ainda mais, como profissional e pessoa. Valeu, Mito! Obrigado! E volte, quando quiser. Choremos.


sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O dia que conheci o Theatro Municipal do Rio de Janeiro



Ontem, por volta de 19h, saí de casa para ir ao Rio. Já no ônibus, olhei as sessões nos cinemas da Zona Sul. Nenhum horário para um filme.

Li no Rio Show que teria Gonzaga no Odeon às 21h. Desci às 20h na Cinelândia disposto a fazer hora, mas vi que o cinema estava prestes a fechar.

Não entendi bem por que cargas d'água o Odeon estava fechando tão cedo, mas nem procurei saber. Fui andando a esmo pela Praça Floriano.

Chegando na esquina com a 13 de Maio, notei o mar de gente que se aglomerava às portas do Theato Municipal.

Sentei num banquinho que por ali existe e, com certo temor de ser assaltado, peguei o celular para fazer uma foto daquele belíssimo teatro iluminado.

Fiz a foto, publiquei no Instagram e pensei, ao ouvir um cambista anunciando o valor do ingresso do espetáculo: por que não entrar?

Já que eu nunca tinha entrado no Theatro Municipal, o fato de estar de bermuda não me desanimou.

Então, subi aquela pequena escadaria, não como pagador de qualquer promessa, mas como curioso, mesmo. E me dirigi a dois caras de terno.

Perguntei a um deles onde ficava a bilheteria. Ele me disse que à minha esquerda, mas, por conta própria, me advertiu: de bermuda não pode.

Aí pensei: pena, dei mesmo viagem perdida. Mas fiquei por ali, mãos dentro do bolso, pessoal entrando, mar de gente diminuindo, e eu me destacando de verde.

E os cambistas anunciavam em bom tom o preço e setor dos ingressos que dispunham. Um deles, ao me ver com cara de fuinha, se aproximou.

Me ofereceu um ingresso por R$50. Setor: frisas. Dizia ele que a visão era privilegiada, mas eu realmente não fazia idéia do posicionamento.

Eu disse que não compraria por estar de bermuda, no que o cambista, sem pestanejar, anunciou, empolgado: EU TE ARRUMO UMA CALÇA.

Gargalhei, totalmente ruborizado. Ele falava sério, bem sério. Espetáculo já começara e ele, óbvio, não queria morrer com o ingresso na mão.

Fiquei em cima do muro. Como assim o cambista me empresta uma calça? Que calça, cara?, perguntei. Te arrumo, pô, te arrumo, repetiu.

Ele pediu adiantamento de R$10. Peguei a carteira, incrédulo com o que acabara de fechar. Entreguei os R$10 e, juro, pensei nos meus netos.

Ele pegou o dinheiro e, já correndo, pediu que eu o aguardasse. Porra, onde mais eu iria? Avistei-o falando com um cara, que puxou SEI LÁ DE ONDE uma calça.

Em menos de um minuto ele voltou com uma calça bege clara. As portas da frente do teatro já estavam fechadas e comecei a temer pela minha entrada.

E perguntei por onde entraria. Pela lateral, disse ele. Peguei a calça, fui num cantinho e, sem olhar ao redor, vesti por cima da bermuda.

Eu estava rindo pra caralho. Não podia acreditar no que estava fazendo. Mas foda-se, pensei. Tudo no improviso é mais gostoso. Bem mais!

Já com a indumentária nova, espiei rapidamente se a calça estava suja. Não estava. Ficou justa na cintura, mas parecia UM BALÃO nas minhas canelas.

Com certeza eu repararia em alguém com um calça tão larga. Tímido, temi pela minha reputação. Que vão pensar? Ah, foda-se, é escuro lá dentro, minimizei. 

Fomos até a entrada lateral do teatro. Olhei o ingresso com atenção. Mas como ter atenção numa hora dessas, de tanta correria e improviso?

No fundo eu estava excitado. Que puta espírito aventureiro, pensava. Mas o ingresso indicava "estudante". E se me pedirem carteirinha?

Pedi que o cambista me aguardasse. Entrei no teatro, finalmente. Dei o ingresso ao rapaz e, leigo, perguntei: pode entrar ainda? O cara sinalizou que sim.

Já "garantido", falei já volto e saí para pagar o restante ao cambista. Peguei duas notas de R$20 e lhe entreguei. Com os R$10 de antes, R$50, como havíamos 

tratado.

Mas eu tinha duas notas de R$50 na carteira, além das duas de R$20. Como estava trêmulo, permiti que ele visse. Então ele cresceu o olho e pediu uma delas, 

que, somada aos R$10, totalizava R$60. 

Então eu chorei: tratamos por R$50. Ele: fecha R$60, cara, o setor é nobre. Mas você disse R$50, insisti. Mas ele me persuadiu.

Pediu, então, que eu lhe desse R$50 e que ele me voltaria R$30. Nervoso, me enrolei. Dei a nota de R$50 e ele me voltou R$30, mas: e as duas de R$20 que eu 

já tinha dado, mais a de R$10? O ingresso acabou saindo por R$70. Só fui perceber isso HOJE!

Ele me enrolou, óbvio. Rato de rua. E, mesmo sendo comerciante e lidando com dinheiro e negociação diariamente, fui envolvido.

Não considero prejuízo porque adorei o espetáculo. E só notei que era ballet quando, lá dentro, sentado, acendi a lanterna do celular sobre o ingresso.

Antes de entrar no teatro, perguntei ao cambista o que faria com a calça. Deixa com o pipoqueiro, ele gritou, já distante.

Por SMS, contei tudo pra Tatá. Ela ria muito. E, enquanto isso, o espetáculo rolava e um cheiro ruim exalava. Era da calca. Ou o cecê do sujeito a minha 

frente?

Eu ralava a mão pela calça e cheirava. Cheiro esquisito que, quando confrontado com o do cecê do careca da frente, ficava pior.

Digamos que o cheiro que exalava era misturado. Calça + sovaco de cebola do careca = odor que, aparentemente, só eu senti, porque ninguém ao meu redor 

parecia incomodado.

O espetáculo? O Quebra Nozes. Monótono no início, adorável da metade pro final. Aplaudi ao fim e, antes que todos saíssem, tomei a frente.

Pensei em tirar a calça no banheiro do teatro, mas acabei saindo vestido. Fui ao banheiro do Amarelinho (bar/restaurante conhecidíssimo no Rio) poucos metros 

adiante, tirei e dobrei.

Voltei à porta do teatro, caminhei até o pipoqueiro e expliquei que um rapaz pegaria a calça com ele, sem dizer quando, até porque eu não sabia. Acho que ele 

não entendeu absolutamente NADA do que eu disse, mas acenou positivamente com a cabeça.

Então, pus a calça em cima da barraquinha de pipoca e fui embora, rindo e pensando na divertidíssima noite que acabara de ter.


domingo, 18 de março de 2012

Eu, tu, nós


Não gosto quando você chora porque sou sensível demais pra não chorar junto. Detesto quando você chora de soluçar porque aí tenho que esconder meu rosto embaixo do travesseiro pra amenizar o drama que, se te acomete, acomete-me também. Odeio quando não posso te ajudar. Dói o fato de não ter o poder de trazer seus entes pra perto só pra te ver mais feliz, realizada, completa. Choro porque você chora. Choro pela impotência de não poder te satisfazer. Choro porque, às vezes, não há nada que eu possa fazer.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Incoerência


Recentemente, numa missa em Niterói, o padre, preciso e objetivo, foi brilhante quando comentou que a sociedade precisa ter coerência. Ele desenvolveu seu raciocínio, deu exemplos, mas a frase me chamou muita atenção - para a coerência alheia e, especialmente, a minha.

Coerência. O ser humano costuma ser coerente? Nem o padre deve tê-la em totalidade. Me parece periclitante viver sem dar tiro no pé, ser o tempo todo regrado e jamais ir contra seu pensamento de outrora. Em alguns casos, ou na maioria, é muito divertido constatar a incoerência de terceiros - a sua, se não for muito grave, permita que os outros te alertem, dê risada dela, mas procure corrigí-la.

Estou falando isso porque as redes sociais, embora cansem em alguns momentos, divertem bastante em outros tantos com a (in)coerência das pessoas.

No Twitter, onde não conheço a maioria dos seguidores, é difícil, mas no Facebook vejo o tempo todo pessoas, inclusive eu, sendo incoerentes.

Exemplos básicos sobre o tema envolvendo BBB (o reality show rende mil assuntos e estou me aproveitando deles para não cair no ostracismo, como já se nota):

A pessoa diz não ver BBB mas critica os participantes;

Cita que não pode ouvir falar de BBB por sentir nojo mas escreve o nome do programa em suas constantes reclamações;


Declara que BBB não tem cultura, mas não perde um programa do Pânico na TV;


Afirma que vai bloquear quem muito comenta de BBB mas compartilha o tempo inteiro as bestialidades do melhor melhor do mundo;


Fala que quem vê BBB é desocupado mas fica o dia inteiro no bate-papo do Face;


Grita que BBB não oferece cultura mas jamais leu um livro;


Divulga passagens da bíblia, fala do amor de Deus, mas vocifera com ódio sobre BBB.


Pois é, você já deve ter lido algo semelhante aos exemplos na sua timeline. Cadê a coerência das frases, das pessoas? 

O ser humano, como sabiamente disse o padre, é incoerente. E, se você não crê em Deus e, por tal descrença, não segue seus mandamentos, por favor, ao menos decore a observação do padre e tente usá-la na sua vida.


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Sobre quem vê (ou não) BBB


A galera que se aventura pelos principais portais do país já sabe, aqueles que acompanham estes mesmos portais pelas redes sociais, idem. Mas, caso você realmente não esteja sabendo - acho improvável -, aviso, com exclusividade (na era das mídias sociais TODO MUNDO dá notícia exclusiva, revela estudo), que amanhã, terça-feira, 10/01/2012, vai começar mais um BBB. Um evento e tanto.

É deboche da minha parte tachar o BBB de um evento e tanto? Sim, mas não tem como não qualificá-lo assim, e, visto que são doze edições, minha ironia cai por terra. Doze edições, gente! Se o conteúdo ou falta de é útil ou não, é discutível. Mas, inegavelmente, tem público, tem audiência, tem patrocinadores, dá ibope. Nada na televisão se sustenta sem eles, óbvio.

Então, o reality brasileiro de maior sucesso vai ao ar amanhã à noite pela Globo, mas o debate sobre o programa, seus participantes e, principalmente, quem gosta de assistir, já começou há uma semana em diversos lugares e espaços. A velha ladainha de que BBB é coisa pra gente vazia vem a tona e eu, que já entoei este coro, hoje tenho outra opinião. Não que eu vá acompanhar e, por isso, defender uma idéia por mim, seria egocentrismo em excesso e não sei se já cheguei neste ponto - talvez tenha passado (RISOS?). Na verdade, não sei, talvez eu veja, ou não. Pouco importa. O que quero dizer é: o intelecto de ninguém deve ser medido pelo que o sujeito vê ou não.

Por que a pessoa que acompanha BBB e enche as redes sociais de opiniões sobre o reality é burra, ociosa, estúpida e sem cultura? (Tá, ela pode ser chata, mas isso foge do tema). Quem não vê, automaticamente, é gênio, cultão, fodão, superior, a mente do saber? Conheço um sem número de pessoas que não tem merda nenhuma na cabeça e sempre assiste. Ao mesmo tempo (embora não proporcionalmente), conheço pessoas inteligentes, viajadas, apreciadoras de livros, cinema, mente aberta e tal que gostam de ver, pagam pay per view e tudo. E daí? O cara, necessariamente, tem que ser burro por acompanhar um reality show e/ou inteligente por ler livros? Não é muita pretensão raciocinar assim?

Não quero levantar bandeira do BBB. Longe de mim querer persuadir alguém a ver o programa, sei lá se vale a pena ou não, cabe a cada um julgar com base na própria vivência. Mas acho escroto e idiota definir alguém de qualquer coisa simplesmente por ver ou não o programa.

Ultimamente tenho pensado da seguinte maneira sobre um amontoado de coisas: se acho que vale a pena, vejo, leio, me desloco, me esforço; se acho que não, não vejo, não leio, não me desloco, não me esforço. A gente (me incluo) tem que parar com a mania de querer dar opinião sobre tudo, de querer direcionar o que um ou outro vai ver, fazer ou não. Se você gosta, ótimo, beleza. Do contrário, ignore, limite-se a dizer que não curte, que não acompanha. Não precisa ter motivo e opinião sobre tudo, muito menos sobre BBB (deixei parecer meu desprezo?).

Ps: a foto, tirada por mim na Praia Vermelha, dia desses, é pra dar um tom suave ao texto.


quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Um Dia, o livro do ano!

Um Dia, de David Nicholls. Faz mais de um mês que terminei de lê-lo. E daí? O livro perdura no meu consciente. 

Por vezes, em diversas situações do cotidiano, no amor e no ódio, meu ou alheio, me vem à tona alguma lembrança de Emma e Dexter, os protagonistas deste inesquecível (!) romance. 

Emma e Dexter. Dexter e Emma. Em e Dex. Grave estes nomes, como se possível fosse esquecê-los. 

Love story passada em Londres, de 88 até 2007, sempre na mesma data: 15 de julho. 

Quem viveu aquela época talvez fique nostálgico. Quem, como eu, estava nascendo, vai se apegar a outros fatores. 

Pouco importa sua idade, sua crença, ou o tamanho da sua fé: Um Dia vai mexer com você! 

Se quiser, por antecipação, se sentir intimidado, tudo bem. Porque, cedo ou tarde, tão logo no início, na metade ou a caminho do fim, Um Dia vai te cercar e, com naturalidade incomum, te apunhalar. Por trás, pela frente, no peito e, constantemente, no coração. Faz rir, gargalhar, pensar, refletir; chorar, lamentar, sonhar, cair. 

Um Dia tem milhões de caras e, ao mesmo tempo, cara nenhuma. Tem a sua cara. Sim, Emma se parece com você. Dexter, idem. Aceite a identificação. Se surpreenda. Sinta-se ameaçado. Um Dia, mesmo que demore ou, simplesmente, apenas por um dia sequer, vai te tocar. Profundamente. Dolorosamente. Alegremente. 

Leia Um Dia. Logo! Não corra o risco de morrer com esta lacuna. Clamo pro seu bem. Pro seu próprio bem.

(Comentários adicionais sobre o livro que não consegui incluir no texto):

Talvez o sucesso de Um Dia se deva ao fato dele ser um livro de todos. Sabe aquele slogan "Brasil, um país de todos"? Pois é. A identicação com os protagonistas Emma e Dexter varia entre um e outro a medida que as páginas são viradas. Eu, como David Nicholls, o autor do romance, me vi mais em Emma. Romântica, sensível, insegura, excessivamente depreciativa;

Desconfio que Um dia, lançado em Londres há dois anos e, no Brasil, em maio deste ano, é sucesso exatamente por falar um pouco de cada um de nós. Emma e Dexter, os protagonistas desta ficção maquiada de história real, são vistos com nossas atitudes, nossas palavras, nossas frases, nossas angústias amorosas. São nossos clones. Nossa identidade foi roubada por eles e revelada, sem nossa permissão. O livro permite, sem sua autorização, que você se conheça - muito ou pouco. Compreende a profundidade?
 



segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Meu pai fala cada merda

Acho que eu jamais compraria um livro cujo título é Meu pai fala cada merda, embora eu dê credibilidade a capas que contém informações como "1º lugar na lista de mais vendidos do NYT" - pois é, sou muito influenciado por etiquetas. Gosto de qualquer tipo de leitura, mas ainda sou conservador quando estou numa livraria, e não costumo botar fé em livros que se intitulam hilários. Questão de desconfiança. Não sei se vocês vão respeitar este meu jeito.

No entanto, ganhei este de aniversário e, quando alguém me presenteia com qualquer livro, me sinto na obrigação de lê-lo e comentá-lo como forma de agradecimento a pessoa que me deu - a propósito, preciso falar deste para minha tia.

Em Meu pai fala cada merda, Justin Halpern, um rapaz de 28 anos, resolve voltar a morar com seus pais, após ser chutado pela namorada. A partir deste momento ele começa a publicar no Twitter incontáveis frases de seu pai (e, com o sucesso delas na internet, que conquistou milhões de seguidores, virou livro e, posteriormente, seriado de tevê da Warner!!!!), Sam Halpern, um velho de 73 anos, rabugento e chato ou engraçado e sábio - depende da interpretação de cada um. Aparentemente as frases proferidas por Sam não tem caráter maldoso, mas, quem vive sob turbulências com seu pai dentro de casa, pode encarar as peripécias como ofensas.

Uma amiga, por exemplo, achou escroto à beça a forma com que Sam se refere a Justin (se fosse o Bieber, eu apoiaria). Sim, ela não se dá muito bem com seu pai e encarou a maioria das situações deste livro como estupidez. Não cabe julgá-la e, embora o livro sustente um ar despretensioso, pode desagradar algumas pessoas - minha mãe começou a ler, não viu graça e adjetivou Sam como um grosseirão idiota que maltrata o filho com palavras. Discordo totalmente e confesso que morri de rir com o jeito descolado do coroa e, por mais arrogante que o que ele diga possa soar, achei que, acima de tudo, ela ama seu filho.

Recomendo o livro como uma leitura não obrigatória, apenas pra distrair e dar boas gargalhadas.

domingo, 6 de novembro de 2011

Por que sumi do Facebook

Algumas pessoas tem me perguntado por que sumi do mural do Facebook. Estou enojado daquilo. Falta paciência pra ler que fulano começou uma amizade com Jorge, Carlos e outras quarenta e nove pessoas, das quais não faço a menor ideia de quem sejam. Por que isso merece divulgação, Mark Zuckerberg? Não acredito que seja falta de senso de humor da minha parte.

Beleza que o conteúdo postado no mural facebookiano não garante felicidade e prazer para todos. Mas é muito impressionante (e especialmente CHATO) a quantidade de gente que compartilha qualquer “bom dia” ou “o dia amanheceu” fornecido pelo falecido Caio Fernando Abreu, pela jornalista que passa imagem de psicologa Martha Medeiros e pelo "melhor do melhor do mundo". Este rapaz do Panico é talentoso, mas QUALQUER COISA que ele posta é epidêmica, se espalha como foco de dengue pelas redes sociais. Até quem não o segue (como eu) acaba lendo uma vez ou outra piadas e “supostas” piadas – supostas entre aspas porque vivemos numa era de banalização de sentimento e do riso também.

E os infindáveis convites para joguinhos? Nossa, ACHAM QUE ESTAO em Las Vegas? E as pessoas que fazem check-in EM CASA? E as freqüentes fotos de cerveja, vodkas e outros destilados (já fiz parte deste grupo certas vezes, vale confessar. Um minuto de silêncio, por favor, para minha vergonha). Haja falta do que falar, de criatividade mínima. O Homo Sapiens deve estar muito desapontado conosco. 

Bom, é isso. Tem sido difícil não se irritar no mural. Por isso tenho evitado, mas eventualmente entro e leio qualquer coisa, alem de postar fotos, como um aspirante a fotografo. As (raras) postagens interessantes que figuram no mural somem no meio desta onda avassaladora de futilidade e compartilhamento da boçalidade. Fim próximo.

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Fiquem com a imagem do pôr do sol em Ipanema, FLAGRADO por mim ontem (5/11/2011), no Posto 9. Me sinto talentoso nos registros! Instagram é mero coadjuvante.


terça-feira, 25 de outubro de 2011

Ágape


Antes de falar (pouco) do livro, quero esclarecer algumas coisas: 1) Não tenho religião definida, embora, quando questionado, me declare "católico não praticante". Soa como hipocrisia (e talvez seja!), uma vez que vivo questionando a existência do, digamos, criador. Não é deboche, é falta de plena convicção no bem e certeza de que o mal nos rodeia - basta ver o noticiário, ler os jornais, andar pelas ruas. Muitas vezes, acredito na força de algo ao meu lado, principalmente quando estou sozinho pela madrugada, onde se vê de tudo. Suponho que muitas coisas deixaram de acontecer comigo por causa de alguma proteção. O que é exatamente não sei dizer - ou, pelo menos, explicar; 2) Não me considero ateu e não sei argumentar o porquê disso; 3) Fiz primeira comunhão, mas era aquele aluno entediado e, mesmo que tentasse prestar atenção no que dizia a professora, não tinha êxito; 4) Não comprei Ágape, li porque minha avó simplesmente pediu que eu lesse; 5) Não tenho resposta padrão sobre Deus. Não me testem, é o que peço.

Bem, faz algumas semanas que li Ágape e, honestamente, julguei antecipadamente ser algo desnecessário pra mim pelo histórico acima (sou paradoxal?). Não foi. Ele é composto de citações do evangelho de São João, sendo "traduzido" com situações do mundo contemporâneo. Isso é feito de maneira leve e clara pelo padre Marcelo Rossi. Ao final de cada capítulo, há uma interessante oração que corresponde ao tema abordado.

Não achei o livro apelativo. Em 128 páginas, ele dá mostras de como o ser humano pode e deve fazer o bem, sempre tendo o amor divino como lema - amor, aliás, que significa ágape. Aliás, é o contrário - parece que dá no mesmo. Já que me considero uma pessoa do bem, diria que os ensinamentos presentes no livro não me surpreenderam. Funcionou como lembrete. Mas é inegável que a energia positiva é contagiante, dá a impressão de que é possível ser perfeito ou, ao menos, buscar sempre acertar e, principalmente, propagar o bem. Aliás, Padre Marcelo insiste nisso: sempre divulgar o bem, independentemente do lugar e pra quem. E, ainda que eu seja dotado de certa incredulidade, posso afirmar que o livro me fez bem e, de repente, me impulsiona, finalmente, para alguma direção.

domingo, 23 de outubro de 2011

Hoje é dia de revê-la, bebê!


 Tenho motivos para ser contra a semana acadêmica da UFF, que me rendeu alguns  lamentos durante sete dias. Isso porque, há exatamente uma semana, eu deixava  Tamara na rodoviária Novo Rio. Ela embarcava, quase neste mesmo horário, para seu  verdadeiro lar, a fim de gozar da companhia familiar. Perfeitamente aceitável, diria um  coração falso. CHUPA, UFF!, diria o sincero.

Sim, cenário favorável pra ela e os parentes, mas quem disse que coração  apaixonado NÃO É EGOÍSTA? Ainda que involuntário, o sentimento, por menor ou  mais profundo que seja, tem este defeito.

Neste período (interminável!) de ausência da querida Tamara, tentei reinventar o  conceito de saudade e constatei que o vazio que senti não condiz com a definição do  dicionário. Preocupante.

sábado, 15 de outubro de 2011

Ela, a Tamara



Tamara Sampaio é o nome dela. Nasceu em Minas. 20 anos. Nos conhecemos no carnaval deste ano, na terra dela, em Itanhandu, uma gostosa cidade do interior. Ficamos amiguinhos. Nada além disso. A garota passou pra UFF e veio pra Niterói, sozinha!, estudar biologia. Os pais se orgulham. Eu, idem. Numa segunda-feira, marcamos Outback. Risadas rolaram. Confundi as coisas. E comecei a chamá-la pra sair. Eu tava muito a fim dela, IMPRESSIONANTE. Numa sexta, 2 de setembro, ficamos. Gostei além da conta. Pedi bis e comecei a infernizar a garota, quase que diariamente. Saímos mais vezes. E ficamos em todas. Pouco mais de um mês, solicitei namoro. Já queria há muito tempo. Ela aceitou. Estou apaixonado. E completamente feliz por ter superado traumas passados. Descobri, com o carinho dela, que é possível, sim, ser feliz de novo. Ela me deu uma nova direção, reanimou minha fé, me trouxe ânimo, fôlego. Começo a me encontrar de novo. Voltei a sorrir como há muito não fazia. Sensação deliciosa. Amor à caminho? Sei lá. A única certeza que tenho é que, ao lado dela, tudo fica melhor. Que assim permaneça.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Vasco 1x1 Atlético-GO

Quem não assistiu Vasco 1x1 Atlético-GO, ontem, em São Januário, provavelmente caiu no lugar-comum e definiu o empate pro mandante como “tropeço”, “derrapada”, “susto” e afins. Analisando do ponto de vista do adversário e sua história, pode ser. Mas, do ponto de vista do que foi o jogo e do equilíbrio do Brasileirão, tão comentado por jornalistas, não. Não caia no discurso simplório e quase unânime da imprensa de que “o Vasco perdeu grande chance de abrir melhor vantagem na liderança diante de um time de menor expressão, com todo respeito ao Atlético” por um motivo simples, que muitos não reconhecem ou simplesmente acham pouco provável pela posição na tabela: o rubro-negro goiano tem um bom time e ficou enjoado, principalmente fora de casa, após a chegada de Hélio dos Anjos.

O Vasco, por outro lado, não esteve em grande noite. É verdade. Não repetiu a excelente atuação que teve contra o Grêmio - dificilmente fará partidas como aquela, onde a maioria do time jogou acima da média, com índice de acertos impressionantes, especialmente no ataque. A presença em massa da torcida a favor do time da casa é sempre um algo mais, mas quando o mandante começa atrás no placar o número em peso na arquibancada se transforma em ansiedade nos jogadores dentro de campo.

E foi o que mais ou menos aconteceu. Mais ou menos porque a boa atuação do Atlético não se resume apenas na má partida feita pelo Vasco. Uma coisa nem sempre está ligada a outra. O visitante, desde o início, emplacou uma forte marcação no campo de defesa do Vasco, que tinha dificuldades pra sair pro ataque. Juninho, naturalmente, recuava e Diego Souza, bem marcado, ficava praticamente isolado no meio-campo.

O jeito, então, era jogar pelas laterais – como antes fizera o Atlético-GO, que abriu o placar num ótimo cruzamento pra cabeçada certeira de Anselmo. Foi assim também que o Vasco chegou ao empate com Diego Souza, numa jogada quase idêntica de Fagner – e repetida, logo em seguida, por Rômulo. Depois, pressão total do Vasco, mas nenhum abatimento por parte do Atlético, que, além de mostrar personalidade, atrevimento e coragem para enfrentar o líder em seu estádio lotado, teve pique e organização para pressionar o jogo inteiro, quase sempre comandado pelo ótimo Rafael Cruz.

No segundo tempo, o mesmo panorama. Jogo lá e cá e com o Atlético tendo as chances mais perigosas. Não fosse pela atuação espetacular de Fernando Prass e nem a liderança com diferença de um só ponto para o segundo colocado seria mantida.

Conclusão: resultado ruim para o Vasco se compararmos a magnitude dos clubes, mas absolutamente justo pelo que foi visto em campo e pela qualidade do Atlético-GO.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Larry Crowne e O Homem do Futuro


Na última sexta-feira voltei a freqüentar uma sala de cinema – fazia tempo que não entrava em uma, pura e simplesmente por não abrir mão de cervejas e destilados nas últimas sextas e sábados e por não ter tido tempo hábil durante as semanas. E domingo, convenhamos, é dia de ver futebol o dia todo na tevê e depois ficar feito louco zapeando pelas mesas redondas do SporTV e ESPN, além de fazer comentários pouco inteligentes no Twitter.

Voltando ao cinema. Cheguei às 22h no Cinemark do Plaza e queria ver Planeta dos Macacos às 22h25, mas deixei a critério da Tamara, doce e agradável companhia, que não pestanejou e votou em Larry Crowne – O Amor está de volta. (Não houve réplica). Eu sabia que não gostaria do filme, muito embora seja do Tom Hanks e, principalmente, TENHA Tom Hanks no elenco. Ótimo e carismático ator que fez e participou de apenas mais uma comédia romântica repleta de clichês e com final previsível. Tem também a Julia Roberts, igualmente excelente e dotada de grande carisma. O casal funciona mas o filme não empolga.

Ok, vá lá, Larry Crowne está longe de ser uma porcaria, mas é altamente descartável e esquecível. Trocando em miúdos, daqui a alguns meses eu talvez nem saiba responder se vi ou não este filme – estou forçando conscientemente. Entretanto, pessoas nem tão céticas e exigentes quanto eu devem gostar ou, ao menos, curtir (verbo da moda).

Encerrada a sessão, eu, ciente desde cedo do começo de O Homem do Futuro pontualmente à meia-noite, na sala 1, articulei um entrada triunfal sem ter que pagar por outro ingresso – assim, sair de uma sala e entrar imediatamente em outra (NÃO REPITAM ISSO), já que o corredor estava quase desértico. Tamara ficou um pouco receosa, porém animada com a possibilidade de ver um filme gratuitamente – universitária, sabe como é. Eu deveria me envergonhar desta artimanha, mas me senti mais confortável quando constatei que um casal de, sei lá, 40 e poucos anos, agia da mesma forma.

A postos, agraciei mais uma magnífica atuação de Wagner Moura. Alinne Morais e ele formaram um casal com sintonia e química – o que não quer dizer que o relacionamento deles no filme seja perfeito. WM, aliás, nos remete ao lendário Capitão Nascimento em alguns momentos por causa do tom excêntrico e vigoroso. Bate uma natural e saudável nostalgia.

A trilha sonora é Tempo Perdido, da Legião Urbana, canção já vibrante e que ficou ainda mais na voz de Moura/Morais, sob entusiasmo impressionante da platéia (da película). No mais, não tenho muito a dizer sobre o filme. É bom, prende, tem cenas sinistras, enérgicas, mas não é surpreendente. O roteiro lembra muito o de Efeito Borboleta. Há quem diga que é uma nova versão de De Volta para o Futuro. Pode ser. Fica a critério de cada um comparar ou não. Fato é que, quem acompanha pouco a sétima arte, vai naturalmente achar o filme o máximo. Pra mim, não é, mas ainda assim vale uma ida ao cinema – pagando ingresso, de preferência.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Um bocejo pra cada lado

O que falar da sonolenta atuação da seleção de Mano diante da Argentina, em Córdoba? Individualmente, embora não seja nada de muito empolgante, deu pra ver um tímido brilho no trio da frente, formado pela segunda vez consecutiva por Ronaldinho, Neymar e Leandro Damião – sendo o último o melhor de todos no jogo, autor de uma belíssima lambreta.

Mas, coletivamente, o time de Mano se mostrou, mais uma vez, um arremedo. Seria até muito otimismo esperar algum entrosamento entre jogadores que pouco ou quase nunca jogaram juntos. No caso da zaga, por exemplo, não vejo motivos para histeria (positiva nem negativa). Rever e Dedé estiveram seguros, eficientes nos desarmes e sem vaidade quando precisaram dar chutões – mas nenhum deles deve ser titular quando os europeus retornarem. Os alas, entretanto, não animaram ninguém. Não se têm notícias de Danilo e Kleber.

No meio-campo aconteceu o que já se esperava. Quer dizer, absolutamente nada aconteceu. Faltou amendoim no trio composto por Ralf, Paulinho e Renato Abreu. Não entra na minha cabeça a ausência de Lucas neste amistoso. “Ah, falta experiência ao garoto” disseram. Experiência que Renato Abreu, virgem até antes do jogo, supriria, então? Aliás, acho o Renato Abreu um bom jogador, mas não um selecionável, não um jogador com o fardo de responsável pela criação de jogadas de uma seleção que tem como prioridade a renovação.

Resumindo: num clássico de caseiros, com times remexidos, o que se viu foi pouquíssimo toque de bola, nenhuma jogada bem tramada, algumas caneladas e mais (justos) questionamentos ao trabalho de Mano Menezes. O pior é que ainda tem jogo de volta...

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Depois do jogo, brinquei no Facebook, definindo da seguinte forma o jogo: A seleção de Mano é tão broxante que pode transformar qualquer maníaco do sexo em celibato.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Vasco 1x1 Avaí

Dificilmente o Avaí vai jogar e se comportar tão bem como fez em São Januário, na próxima quarta, mesmo não tendo dominado a peleja no campo vascaíno ontem. Criou chances, perdeu gols e teve ótimo toque de bola no meio-campo, principalmente com Marquinhos e Julinho, o autor do gol, um excelente lateral-esquerdo – ou meia-esquerda disfarçado, como queiram.

Já o Vasco começou em cima, dando mostras que iria inaugurar o placar logo nos primeiros minutos, quando Marcinho Guerreiro evitou, de cabeça, um gol de Diego Souza. Mas a medida que o time hesitava no ataque (nenhuma novidade) e não marcava seu gol, o Avaí ganhava moral na partida e assustava nos contra-ataques. A equipe comandada por Silas mostrou seu valor, mas não dá pra considerar apenas o bom jogo avaiano e poupar alguns jogadores do Vasco, sobretudo o técnico Ricardo Gomes, pelo resultado ruim:

- Alecsandro: intolerável. Alegar falta de entrosamento com Éder Luís pelos inúmeros gols perdidos nos últimos jogos é procurar pêlo em ovo. Perde gols em demasia de frente, de lado, de quatro e o caralho. Ou seja, o Vasco ainda ressente de um goleador – que, sabemos, também não é o Elton.

- Ramon: não fode e também não sai de cima. Márcio Careca, que é ruim, fez um grande jogo contra o Atlético-PR e merecia a titularidade hoje. Ramon foi útil na Série B e só. A lateral-esquerda não é um problema crônico apenas no Flamengo.

- Ricardo Gomes: não tem currículo, não tem título, mas não tem a arrogância predominante da maioria dos técnicos brasileiros e tem mérito na melhora substancial do Vasco no ano. Não pode continuar com o péssimo hábito de DEMORAR pra mexer no time. Pôs Bernardo tarde, como SEMPRE, sacou erradamente o velocista Éder Luís e deixou o preguiçoso Diego Souza em campo durante os 90 minutos.

- Diego Souza: nunca fez por merecer ser titular do Vasco. Pode ser útil? Sim, quem sabe. Alguns não acreditam. Eu, ingênuo, tenho certa esperança. Mas Bernardo JAMAIS poderia ser tirado da equipe para a entrada dele. Outro erro que vai pra conta do técnico.

Não vou criticar o Allan, que fez sua pior partida pelo Vasco, porque ele joga improvisado na lateral; Dedé e Anderson Martins vacilaram mais que de costume e Fernando Prass fez uma grande defesa. No mais, Felipe esteve muito bem na armação, até parecia ter 23 em vez de 33 anos e deu várias enfiadas, como de praxe. O melhor do Vasco na noite.

Conclusão: dentre as circunstâncias adversas de um jogo que parecia perdido, ÓTIMO resultado para o Vasco. Quem viu, sabe disso. E não, o Avaí não tem nenhuma vantagem para o jogo de volta na Ressacada.

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Sobre os pênaltis: achei bola na mão do Dedé, fato que, na minha interpretação, não é pênalti. Pênalti escandaloso do goleiro avaiano Renan em Ramon. No lance do Elton, uma falta que acontece em todos os jogos, mas que quase nenhum juiz marca – a não ser, claro, que queira compensar algum erro anterior.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Vasco: o sentimento não pára, mas se despedaça


Começo este desabafo (idiotas vão encarar como choro) falando por mim e por uma imensidão de vascaínos: ninguém agüenta mais perder para o Flamengo em decisões!

Não vou me ater ao jogo, nem me agarrar a estatísticas e nem é preciso recorrer a elas quando se mistura mágoa, amor ferido e trauma. O vascaíno não agüenta mais ser motivo de chacota em quaisquer lugares que esteja por causa (não culpa) do Flamengo.

Ontem, num bar, antes mesmo do jogo decisivo da Taça Rio começar, já se ouvia o coro de vice, de freguês, entre outras provocações dos flamenguistas presentes. É saudável? Claro que é! Faz parte do folclore do futebol. O que não é normal, muito menos saudável, é a ausência de réplica dos vascaínos. Não se viu respostas à altura no entorno do bar – e a inferioridade numérica de torcedores não serve como desculpa. Tal fato resume bem a atual (e lamentável!) situação do Vasco, que muitos não reconhecem ou não querem enxergar pelo fanatismo: viramos coitados, penosos, vascaínos que não confiam no seu time – e isso nada tem a ver com o fato do nosso time ser superior ou inferior ao adversário.

Respeito muito o Lédio Carmona, um dos melhores comentaristas de futebol do país. Apesar de vascaíno, imagino que a imparcialidade dele tenha falado mais alto no seu texto sobre o clássico dos milhões. Mais alto que o sentimento, o que é admirável para um profissional de imprensa, que deve pregar sempre pela isenção nos comentários.

Porém, pouco importa (em minha opinião de torcedor sofrido) se o Vasco tem o melhor elenco montado desde 2002; pouco importa o fato de o Vasco ter tido um elenco mais ajustado que o do Flamengo no decorrer da própria Taça Rio; pouco importa o fato de o Vasco estar vivo na Copa do Brasil, onde as seqüelas da perda de ontem ficarão expostas nos jogos a seguir; importa menos ainda a possibilidade de o Vasco começar forte um Brasileiro, como há anos não se via. Certas coisas são muito grandiosas para o vascaíno – vencer o Flamengo, numa final, é ser bicampeão: prova de superação sobre os rivais e, acima deles, o Flamengo. Para o Vasco, todos são rivais. Mas o Flamengo é um rival elevado ao quadrado, está num patamar acima, invariavelmente. Não quero com isso incitar a violência e tampouco ver o Flamengo como inimigo. Apenas não ignoro a enorme rivalidade (sadia) entre os clubes, muito menos desmereço a grandeza do Rubro-negro.

Nos dias de hoje, lamentavelmente, ouço vascaínos torcendo para o Vasco não chegar a uma final com o Flamengo, com receio de final trágico, como têm acontecido nos longínquos últimos anos. Pode-se encarar tal comentário como covardia em se tratando de Vasco da Gama. Porém, o trauma das últimas finais torna isso compreensível.

Parece que, para ressurgir LITERALMENTE da fossa, do limbo, do ostracismo, é necessário vencer o Flamengo em uma final, seja ela qual for. Eu, honestamente, achava que isso poderia acontecer ontem – em finais anteriores, tinha pouca esperança, embora a paixão nos deixe cego às vezes.

O Vasco começou pessimamente o ano, ganhou reforços e um treinador aparentemente confiável. Ricardo Gomes começou a desenhar um time que vinha ganhando respeito, especialmente no cenário carioca. Não se pode dizer que tudo foi em vão. Mas a derrota de ontem foi mais dolorosa porque, embora o receio de finais contra o maior rival ainda exista fortemente no coração do vascaíno, parecia (pelo maior volume de chances perigosas criadas pelo Vasco) que o roteiro mudaria, que seria diferente, enfim. Amarga ilusão!

Era temerário enfrentar o Flamengo nas penalidades. O rival, como escreveu o Rica Perrone, não perde nos pênaltis, pelo menos num passado MUITO distante. O Vasco, entretanto, tem histórico negativo neste quesito. Também por isso, parecia que o Gigante da Colina sairia por cima, mudaria o roteiro e faria um novo final, embora, conscientemente, o medo de uma nova derrota existisse nitidamente na face de muitos que me cercavam no bar.

O final todos já conhecem. Rubro-negros comemoram, vascaínos lamentam – alguns choraram copiosamente e ainda buscam a cura para mais uma cicatriz. Outros, como eu, buscaram o silêncio no quarto de casa. O sentimento, que nunca vai parar, é de desolação, de receio, de medo de decisão. Está em pedaços. Efeitos que não condizem com a opulência do Vasco, mas que, inevitavelmente, se apossaram da imensa legião de vascaínos por causa dos últimos históricos. Malditos pênaltis desperdiçados!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Madrid vs Barça: Messi deu o tom, pra variar


O terceiro jogo da melhor de quatro entre Real Madrid e Barcelona foi amarrado, tenso, longe de parecer uma disputa de futebol e muito perto de se assemelhar a um duelo de pugilistas. Em alguns momentos do primeiro tempo, deu sono. No segundo tempo, tirando o bafafá, teve lampejos de um dos maiores clássicos do futebol mundial.

Fato é que os jogadores de Real e Barça, talvez respingados pelas alfinetadas extra-campo entre José Mourinho e Pep Guardiola no pré-jogo, pareciam mais preocupados em pôr algum adversário pra fora (pressionando o árbitro em qualquer falta assinalada) do que jogar bola.

Pepe (Felipe Melo é uma Sandy perto dele) deu seu cartão de visitas na perna de Daniel Alves. Falta desleal, maldosa, passível de cartão vermelho. O juiz não hesitou e o colocou pra fora, direto. Abria ali o espaço de que o Barcelona necessitava para fazer seu jogo.

E o melhor jogador do mundo, um tal de Messi, em meio a tanta picuinha e marcação, presenteou os amantes do futebol com dois gols: no primeiro mostrou faro de atacante, desviando um cruzamento; no segundo, um golaço, dando sua tradicional e letal arrancada, selando a vitória que deixa o Barcelona tranqüilo para o jogo de volta pela semifinal da Liga dos Campeões, no Camp Nou, na terça-feira que vem.

Resumo da ópera: não foi um jogão, não foi repleto de belos lances, não foi uma partida agradável de ver. Mas teve Messi em dois momentos de brilhantismo. Bastou!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Fluminense 1x1 Flamengo


O Fla-Flu de ontem no Engenhão teve um pouco de tudo: polêmica, equilíbrio, grandes momentos, falta de luz, chuva e um destaque. Apesar disto, não achei um grande jogo. Mas, inegavelmente, foi muito imprevisível, como exige os pré-requisitos de um autêntico Fla-Flu.

Depois de uma apoteótica vitória na Argentina, que o colocou nas oitavas-de-final da Taça Libertadores, o Fluminense ganhou credencial de favorito, muito embora, como diz o poeta, clássico é clássico e vice-versa; já o Flamengo vinha de um empate no Rio frente ao Horizonte, um resistente visitante, e desfalcado de duas peças importantes: Maldonado e Ronaldinho Gaúcho. Soma-se a isso o fato de Léo Moura ter saído logo nos primeiros minutos de jogo.

Tudo parecia conspirar a favor do Flu que, de fato, esteve melhor, criou mais chances e saiu na frente com um gol irregular de Rafael Moura, visivelmente impedido. Nascia ali o segundo erro grosseiro do árbitro – que já se equivocara no lance em que deveria ter expulsado o goleiro Felipe, que fez falta em Rafael Moura, último homem, fora da área.

Vencendo o jogo e dominando as ações, o Flu cometeu um erro letal: subestimar, entre aspas, a grandeza do Flamengo em decisão. Não se pode cometer este pecado capital diante de um time que, tradicionalmente, costuma ressurgir em momentos adversos. Foi o que aconteceu.

Luxemburgo, na volta para o segundo tempo, escalou Bottinelli no lugar do inoperante Fernando. Desta forma, o Flamengo cresceu e passou a intimidar o Fluminense, que, recuado, convidou o rubro-negro para o jogo. Até que, num raro cruzamento de Willians, Thiago Neves empatou de cabeça. O gol reanimou o Flu, que voltou pro jogo, mas esbarrou na noite inspiradíssima de Felipe.

Veio a tensa e decisão por pênaltis. E, como mostra as estatísticas de anos anteriores, deu Fla. Por quê? Porque o Fla têm Felipe, que, como o Bruno, cresce na frente dos batedores, mostra frieza e segurança. Pegou as penalidades de Araújo e Tartá, consagrando-se como o jogador mais importante da partida.

O Flamengo está na final e agora tem o Vasco pela frente, no próximo domingo. O histórico de decisões passadas aponta o rubro-negro como favorito diante do clube da Colina. Seja como for, não dá pra saber o que corre mais: um bonde (invicto!) em franca ascensão ou um trem bala. Façam suas apostas na estação mais próxima.

domingo, 24 de abril de 2011

Vasco 1x0 Olaria


A imagem acima, um dos raros momentos de brio do Vasco na partida de ontem, ilustra o primoroso passe de Fellipe Bastos para Éder Luís, com enorme frieza, invadir a área e driblar o bom goleiro Henrique, do Olaria, para marcar o gol que pôs o Gigante da Colina na final da Taça Rio. Por que foi um dos raros momentos de brio do Vasco? Explico: pelo forte esquema de marcação sobre o maestro Felipe, pela inércia de Diego Souza e muito pela consciência da bem armada equipe da Rua Bariri.

O Vasco teve mérito na vitória, evidentemente. Mas há de se reconhecer a boa partida feita pelo Olaria, que, pouco antes do gol vascaíno, dominava as ações, principalmente pelo seu setor esquerdo, nas costas de Allan, chegando a botar uma bola no travessão em chute de Felipe, de fora da área. Logo depois, numa saída de bola errada de Thiago Eleutério, gol do Vasco.

Na metade do segundo tempo, já com Bernardo em campo, o Vasco ganhou mais dinamismo nas jogadas de ataque. Simples: como o maestro Felipe estava bem marcado e seu companheiro de armação, Diego Souza, se mostrou (mais uma vez) incapaz de municiar o ataque, o xodó da torcida deu movimentação do meio pra frente, inclusive sofreu o pênalti em jogada iniciada por ele mesmo, desperdiçada no travessão na sequência. Depois disso, Ricardo Gomes colocou Eduardo Costa para segurar a classificação.

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Não só acho que o Bernardo tem que ser titular no Vasco – na vaga de Diego Souza, visivelmente sem forma física e técnica -, como também acho que ele jamais deveria ter saído da equipe. Como o Vasco tem vencido a maioria dos jogos e o garoto tem entrado bem no segundo tempo, já com as partidas praticamente decididas, pouco tenho visto de críticas a escalação inicial de Ricardo Gomes. Mas se o time, que ainda se mostra muito oscilante, perder, não tenho dúvida de que a pressão por sua entrada de início será muito maior.

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Sobre o pênalti no Bernardo: achei que foi. Ele entrou em velocidade e foi deslocado pelo Henrique. O bom goleiro do Olaria foi ingênuo no lance, poderia ter evitado a falta. O lance, entretanto, não mudou o placar do jogo.

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Público no Engenhão: 22.867 pagantes - 28.675 presentes. Esperava mais torcedores, embora fosse jogo de uma torcida só. Ah, mas era feriado prolongado. Tudo bem...

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O Flamengo, que venceu hoje o Fluminense nos pênaltis, é o adversário do Vasco no domingo que vem. Será que o roteiro das finais dos últimos anos entre ambos mudará? A conferir.

sábado, 23 de abril de 2011

Márcio Alves, herói em Realengo, recebe homenagem da Maçonaria


Sábado, 16 de abril de 2011. Há uma semana, a Maçonaria, através de uma loja localizada na Rua do Lavradio, na Lapa, prestava justa e sincera homenagem ao sargento Márcio Alves, o policial militar responsável por atenuar o que já ficara caracterizado como tragédia. Foi ele, que estava ajudando em uma blitz nas proximidades da escola municipal Tasso da Silveira, o primeiro a chegar ao colégio, em Realengo, na tenebrosa e inesquecível manhã de quinta-feira, 7 de abril.

Reconhecido como herói pelo governador Sérgio Cabral e também pela sociedade, Márcio rechaçou o rótulo adquirido. Com discurso humilde, ele disse que apenas fez seu papel de policial, evitando o pior naquela trágica manhã:

- Primeiramente, agradecer esta homenagem, este reconhecimento da Maçonaria e da sociedade. É uma coisa muito importante tanto pra nós, policias, como pra instituição Polícia Militar. Então, meu agradecimento, de coração, por esta homenagem. Lembrando, esta ação não foi feita com intenção de receber promoção ou homenagem. Foi o instinto e o cumprimento do dever. Muito obrigado a vocês e tudo de bom.

Atento as palavras gentis do maçom que tomou a palavra, Márcio Alves, o tempo todo, se mostrou grato por aquela solenidade. Posou para fotos, respondeu a diversas perguntas de todos os presentes e, ao final, ainda concedeu entrevista para o meu tio, jornalista, e eu, aspirante na profissão - infelizmente, ainda não tive acesso ao gravador do meu tio, onde há a íntegra.

Para finalizar a manhã de cortejos, a Maçonaria ofereceu um almoço na churrascaria Estrela do Sul, da Tijuca. Quando o sargento Márcio Alves adentrou ao local, foi reconhecido e ovacionado de pé. Um momento marcante, emocionante, impagável. E, quando todos os presentes na homenagem prestada pela Maçonaria já saboreavam seu almoço, Márcio, sempre muito paciente e cordial, ainda atendia as pessoas que o abordavam. Um gesto que evidenciou ainda mais sua humanidade e cordialidade.

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A foto acima não ficou boa, é verdade. Culpa do meu irmão, péssimo fotógrafo. Não estou nem aí para minha cara de pateta. O que vale é o registro ao lado deste grande cidadão!