domingo, 23 de maio de 2010

Quincas Berro D'água

Estou encucado. Será que só eu não gostei de Quincas Berro D’água, filme de Sergio Machado, baseado no romance A morte e a Morte de Quincas Berro D’água, do grande escritor baiano Jorge Amado?

Não que seja um filme ruim, até porque têm tiradas que arrancam gargalhadas da platéia, principalmente com as falas do subconsciente do próprio morto, mas, no geral, achei a película um pouco arrastada – será que eu estava com tanto sono assim?

Pra quem não conhece a história, Quincas (Paulo José) é um velho ocioso, que vive de bar em bar, de garrafa em garrafa. Boêmio nato. Sei lá se de cirrose, fato é que o bêbado morre de porre, deixando seus amigos de copo na mão – família ele tem, mas cagam e andam pro pobre velhinho. Detalhe: atente-se para o semblante de Quincas no velório. Estaria ele rindo?

Filha do bebum, a sensual Vanda (Mariana Ximenes) opta por um enterro minimamente digno, com direito a relógio de bolso de ouro e tudo mais pro pai cachaceiro – aposto que o morto, se pudesse escolher, seria enterrado com pingas ao redor. Ah, taí algo que me manteve bem ligado no filme: Mariana Ximenes. É a cocaína da obra, com um belo decote e de quase nenhum sorriso. Sem dúvida é um desafio para qualquer homem arrancar um riso daquela personagem. Impecável.

Voltando ao filme, quem realmente se chocou com a morte de Quincas foram seus amigos de bebedeira. Inconformados, os caras roubam o bêbado do velório, visando dar ao comandante (acho que o chamam assim) uma última noite de esbórnia. O filme lembra Um Morto Muito Louco, mas algumas piadas são fracas, algumas cenas forçam demais o humor.

No mais, um ponto que achei positivo e reflexivo é quando enfatizam que, mesmo morto, Quincas vive mais que muito vivo. Seu corpo está morto, mas, sua alma e sua memória na cabeça dos amigos, estão vivas e saltitantes. Só por isso, já que o filme não me agradou, apesar de eu ter arrancado algo de útil dele, vou providenciar o livro de Jorge Amado, pois parece que (ainda) tenho muito a lucrar.



Um comentário:

  1. Apesar de todo o marketing envolvido, não me desperta nem um pouco assistí-lo!

    ResponderExcluir